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CAMPOS, Marecelo Araújo. ‘Freire e Freud: Por uma atitude transitiva na educação sobre drogas’. In ACSELRAD, G. Avessos do prazer: drogas, aids e direitos humanos. Ed. Fiocruz, 2ª ed., Rio de Janeiro, 2005:213-229.
O artigo propõe um ponto de vista peculiar sobre a questão das drogas, sobretudo por tentar conciliar dois autores que guardam perspectivas epistemológicas distintas: Freire e Freud. Como o próprio autor adverte, trata-se de texto exploratório, portanto, de caráter ensaístico, no qual se busca uma perspectiva crítica sobre o discurso ‘antidrogas’, ao mesmo tempo em que se constitui como uma via alternativa a ele. Como escreve Campos: ‘É essa possibilidade de troca entre educação e psicanálise que se tenta explorar neste artigo’ [213].
Assim, um dos primeiros pontos abordados diz respeito à relação entre drogas e ‘efeito químico’ de psicoativos’. Salienta o autor que não se deve perder de vista a tríade necessária para um melhor esclarecimento acerca do tema drogas: o sujeito, a droga e o contexto [214]. Desse modo, qualquer discurso que busque na substância a resposta última para o comportamento do indivíduo estará, na perspectiva do autor, fadado ao fracasso seja clínico, seja epistêmico.
O enfoque que o artigo busca é o de deslocar a discussão sobre o tema ‘drogas’ do campo da ‘assistência a dependentes’ para o da ‘educação sobre drogas’ [215]. Trata-se, no limite, de creditar aos sujeitos a responsabilidade última pelo cuidado de si, o qual, sem dúvida, não se desvincula de uma atenção ao outro. Nos termos de Campos, trata-se de fazer avançar a inocência contra a ingenuidade [216]. Sendo a primeira entendida como ausência de culpa, ao passo em que a segunda seria entendida como…
…limitação ou incapacidade de avaliar as situações de maneira mais bem sintonizada com o princípio da realidade, e deixando os educandos à mercê de ilusões que podem pressupor perigos onde não existem ou ignorá-los onde são reais [ibid.].
A citação de Freud, extraída da Conferência XVIII, traduz de maneira ímpar a preocupação e a perspectiva clínica adotada pelo autor [216]. Ao mesmo tempo, essa citação também indica a preocupação de Campos em assinalar que a construção de alternativas para um trabalho que seja voltado para uma educação transitiva do tema drogas não se dá sem riscos [221 e ss.]. Nem por isso o autor se esquiva de indicar pontos de atualização de tal perspectiva na realidade [223 e ss.].
Sumário: http://www.fiocruz.br/editora/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=243&sid=48
Uerj – LPP – Drogas e Aids: políticas públicas e alternativas democráticas
11.10.05 - Resenha 15
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