MARTINS, Paulo H. As redes sociais, o sistema da dádiva e o paradoxo sociológico. Redes Sociais e Saúde, novas possibilidades teóricas. Paulo Henrique Martins e Breno Fontes (orgs), Ed. Universitária/UFPE, Recife, 2004, 21-45.
Disponível em: http://bit.ly/xY2Hx6
O autor pretende com seu artigo apresentar as principais referências da noção de rede social. Para tanto, esclarece que o próprio desenvolvimento da noção advém de ‘uma busca progressiva de elaboração de um pensamento complexo e prático sobre a realidade social’ [21]. Nesse sentido, demandas práticas decorrentes de novos problemas que atravessam a sociedade exigem a complexificação de modelos teóricos que possam estar, minimamente, à altura das novas questões apresentadas.
Destaque-se que a teoria da rede social procurará explicar o fato social de modo a não ficar subsumida a variáveis como a liberdade individual. Em certa medida será necessário pressupor, a partir dessa teoria, ‘uma injunção coletiva que se impõe às vontades individuais’ [22-3]. Talvez aqui já se revele o ponto principal: o esforço de ultrapassagem da dicotomia estrutura x indivíduo, ou, nas palavras do autor: obrigação x liberdade, por exemplo. Trata-se de prescindir de quaisquer dualismos que pudessem estabelecer conexões do tipo causa-efeito.
Nesse sentido, adquire relevância o princípio do paradoxo, o qual, enfatiza as multideterminações do fato social. No espaço aberto, as hesitações, ações imotivadas e fugas da razão instrumental seriam exemplos do conjunto que comporiam o mosaico unidade/diversidade do fato social.
Desse modo, a categoria conceitual de paradoxo responderia pela ausência de referencial absoluto quanto ao que se poderia classificar como ‘bem’ ou ‘ordem’. A possibilidade de elaboração dessa categoria no universo das ciências sociais deve muito a alguns postulados das ciências físicas e da vida, sobretudo a partir de autores como Prigogine.
Os apontamentos do autor, embasadas pelo referencial histórico disponível no artigo, acrescentam algumas considerações interessantes ao objeto do curso ‘Drogas e Aids: políticas públicas e alternativas democráticas’ (Uerj – LPP). De certo modo, constroem-se possibilidades de relativizarmos o valor concedido ao aspecto exclusivamente químico da dependência associada às drogas. Do mesmo modo, acaba por lembrar que mesmo uma ‘doença’ - como a AIDS - pode ter o seu significado marcado por outras variáveis que não apenas seus componentes químicos e biológicos. No exemplo da AIDS, talvez não seja por outro motivo que hoje, diferentemente do momento relativo às investigações iniciais, a idéia de ‘grupo de risco’ não tenha mais tanta importância como referência para compreensão da dinâmica própria à sua manifestação.
Uerj – LPP – Drogas e Aids: políticas públicas e alternativas democráticas
28.06.05
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